O anilox Cerâmico (parte 04)
Chegamos finalmente ao anilox cerâmico, a etapa mais avançada da evolução dos sistemas de distribuição de tinta na flexografia — e, até hoje, o método que oferece a aplicação mais uniforme e controlada.
Antes de prosseguir, vale uma correção importante: assim como ocorre com marcas que viram metonímias, o termo “anilox cerâmico” é tecnicamente impreciso. O anilox não é cerâmico; ele é revestido com cerâmica. O cilindro continua sendo fabricado em aço, recebendo apenas uma camada superficial cerâmica.
Esse revestimento é aplicado por meio do processo de pulverização por plasma, que deposita a cerâmica de forma extremamente resistente, criando a base ideal para a gravação das células por laser — tema que será aprofundado na sequência da série.
Vou explicar:
a cerâmica em um cilindro anilox é aplicada através de um processo de pulverização de plasma, que é uma técnica avançada utilizada na indústria mecânica de revestimento. Neste processo, um revestimento cerâmico uniforme, denso e de alta dureza é depositado na superfície do substrato do rolo metálico. Este revestimento fornece uma superfície de trabalho estável para posterior gravação a laser em nível de mícron de células anilox. As principais propriedades do revestimento, como dureza, densidade, resistência à adesão e resistência ao desgaste, influenciam diretamente a precisão da gravação a laser, a qualidade da geometria da célula, o desempenho da transferência de tinta e a vida útil geral do rolo. Portanto, a pulverização de plasma desempenha um papel decisivo no desempenho e na confiabilidade dos rolos anilox cerâmicos usados nas modernas indústrias de impressão e revestimento.
A superfície cerâmica já havia sido utilizada no passado sem gravação a laser, funcionando apenas como revestimento — de forma semelhante aos primeiros cilindros cromados mencionados na primeira parte desta série. A grande vantagem, porém, é que a cerâmica não é polida como o cromo: ela possui uma rugosidade natural que favorece a formação de uma camada de tinta mais uniforme, sem falhas e com melhor compatibilidade reológica.
Apesar disso, controlar o volume de tinta para áreas chapadas — que exigiam maior carga — ou reproduzir traços finos, textos pequenos e retículas era extremamente difícil. A rugosidade ajudava, mas não oferecia precisão volumétrica.
Foi então que alguém percebeu que os avanços do laser industrial permitiam feixes extremamente finos e concentrados, capazes de pulverizar a cerâmica e criar os tão desejados alvéolos, assim como ocorria no processo mecânico, porém com muito mais controle. A grande vantagem do laser é que ele permite ajustar não apenas a abertura do alvéolo, mas também a profundidade e o formato da célula, que deixou de ser piramidal ou quadrada na base para se tornar hexagonal.
Essa mudança tornou possível aquilo que antes era inviável:
Células com aberturas muito pequenas, preservando paredes estáveis.
Maior profundidade, mesmo em lineaturas elevadas.
Altas lineaturas com volumes maiores, superando o desempenho dos cilindros mecânicos de mesma lineatura.
Agora tornou-se possível escolher o anilox ideal para cada tipo de trabalho, sem ficar preso a uma única forma de distribuir tinta. Vamos explicar por quê.
Antes, para obter uma película adequada tanto para chapados quanto para retículas, era quase necessário um “milagre”: ajustes finíssimos de velocidade, pressão e abertura entre o tomador de tinta e o anilox. Conseguir um chapado consistente já era difícil; imprimir retículas sem ganho de ponto ou entupimento, mais ainda. E ter chapado e retícula no mesmo clichê, com boa qualidade em ambos, era praticamente impossível. Ou o chapado ficava excelente, ou a retícula ficava correta — nunca os dois ao mesmo tempo.
Com o anilox cerâmico gravado a laser, isso mudou completamente.
Para reproduzir bem um chapado, basta escolher um anilox com abertura maior (menor lineatura) e volume mais alto. Para imprimir retículas e cromias, escolhem-se anilox de lineatura elevada, com volume menor, adequados às retículas finas do clichê.
E quando chapado e retícula estão juntos na mesma placa? A tecnologia também resolveu isso. A gravação a laser permite fabricar anilox de lineaturas altas, porém com alvéolos mais profundos, garantindo volumes maiores mesmo em aberturas pequenas. Isso corrige a limitação dos antigos cilindros mecânicos e dos sistemas mais rudimentares.
O resultado é simples:
chapados com carga suficiente,
retículas limpas e sem ganho de ponto,
e ambos coexistindo no mesmo clichê com qualidade superior.
Sou Robson Yuri, consultor e especialista em flexografia, com mais de 35 anos de experiência em processos de banda estreita e banda larga. Atuo no desenvolvimento técnico, otimização de processos, treinamento de equipes e solução de problemas complexos em impressão flexográfica.
Para contato e contratação: flexonews.br@gmail.com
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