Distribuição de tintas - Anilox mecânico (parte 03)


Já abordei em duas publicações anteriores a configuração do sistema de impressão flexográfica e o surgimento dos primeiros cilindros anilox produzidos por gravação química. Agora, avançando na evolução dessa tecnologia, vamos aprofundar o desenvolvimento do anilox.

Como mencionei, o processo químico de formação das células representou um grande avanço para a época. No entanto, ele apresentava limitações importantes: não havia uniformidade na profundidade das células, nem na inclinação do ângulo de gravação. Além disso, fatores como composição do banho químico, tempo de imersão, temperatura, velocidade de rotação do cilindro e até o momento exato da interrupção do processo influenciavam diretamente o resultado final. Pequenas variações podiam causar deformações nas células e alterar a espessura das paredes, comprometendo a qualidade do cilindro.

Foi nesse contexto que surgiu a ideia da gravação mecânica. Em algum momento — não se sabe exatamente por quem — alguém questionou: “Por que não utilizar a mesma tecnologia de recartilhamento mecânico para produzir células mais uniformes, precisas e com ângulos perfeitamente controlados?”

A partir dessa reflexão, foram desenvolvidas ferramentas recartilhadoras especialmente projetadas para a fabricação de cilindros anilox de maior precisão. Esse processo trouxe gravações mais estáveis, com profundidade, abertura e geometria das células muito mais consistentes.

Como funciona?


O cilindro, revestido com cobre ou mesmo em aço bruto, é colocado em uma máquina semelhante a um torno mecânico. No castelo — onde normalmente estaria a ferramenta de corte — instala-se a recartilha com o padrão desejado, correspondente ao tamanho da pirâmide que formará cada célula. Por meio da combinação entre rotação e pressão, a ferramenta “marca” o cilindro, criando pequenas depressões no metal. Essas depressões são as células, moldadas pela ação das pontas piramidais dispostas lado a lado em um disco recartilhador.

Esse processo proporciona um controle muito superior sobre a gravação, permitindo profundidades mais uniformes, formatos de abertura de células extremamente precisos e paredes mais resistentes, com menor incidência de invasão ou deterioração quando comparado ao método químico. Além disso, a geometria resultante favorece o fluxo da tinta, facilitando tanto sua entrada quanto sua liberação das células durante a impressão.

Na minha próxima publicação, vou concluir a linha evolutiva do anilox apresentando o conceito do anilox com revestimento cerâmico e gravação a laser, etapa que representa o salto definitivo em precisão, durabilidade e controle volumétrico dentro da impressão flexográfica.

Sou Robson Yuri, consultor e especialista em flexografia, com mais de 35 anos de experiência em processos de banda estreita e banda larga. Atuo no desenvolvimento técnico, otimização de processos, treinamento de equipes e solução de problemas complexos em impressão flexográfica.

Para contato e contratação: flexonews.br@gmail.com


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