Comparando offset e flexografia
Há muitos anos falo sobre flexografia: banda larga, banda estreita, rótulos, etiquetas, processos de gravação de clichês, orçamentos, engenharia e fabricação de máquinas, além de diversas técnicas de impressão. Mas, curiosamente, nunca havia feito uma comparação direta entre offset e flexografia, dois pilares fundamentais da indústria gráfica.
A offset, sem dúvida, é um dos processos de impressão mais tradicionais do mundo. Derivada da litografia e superada em antiguidade apenas pela tipografia de Gutenberg, ela se tornou amplamente conhecida e utilizada. Está presente na editoração, nas embalagens, nos rótulos, nos cartões e em uma infinidade de outros produtos que fazem parte do nosso dia a dia.
A flexografia, por sua vez, consolidou-se como o processo dominante no universo das embalagens flexíveis, da rotulagem e do papelão ondulado, acompanhando a evolução dos materiais e das demandas do mercado moderno.
Diante disso, chegou a hora de colocar esses dois processos lado a lado e esclarecer, de forma objetiva, as principais diferenças — e assim responder às dúvidas de muitos leitores aqui do blog.
O Processo de impressão:
Offset
Impressão indireta: a imagem passa da chapa → para o cilindro de borracha (blanqueta) → para o substrato.
Baseado no princípio água x óleo: áreas de imagem repelem água e recebem tinta; áreas sem imagem recebem água e repelem tinta.
Processo extremamente estável e preciso, ideal para grandes tiragens com alta definição.
Flexografia
Impressão direta: o clichê em relevo recebe tinta do anilox e transfere diretamente para o substrato.
Sistema de entintagem com cilindro anilox (cilindro de aço, com acabamento em chromo ou cerâmica, gravados por processo mecânico, químico ou laser gerando alvéolos - células - que transporta a tinta do tinteiro de maneira uniforme até a superficie do clichê), que controla o volume de tinta.
Processo mais simples e rápido, com secagem instantânea (principalmente tintas UV ou solvente).
A Forma de impressão:
Offset – Chapa
Chapa metálica (geralmente alumínio).
Superfície plana (processo planográfico).
Não há relevo; a separação imagem/não-imagem é química (repulsão água/óleo).
Durabilidade depende do substrato, uso, considerada alta, ideal para longas tiragens.
Flexografia – Clichê de fotopolímero
Clichê flexível, em relevo, feito de fotopolímero (um tipo de plástico fotosensível).
A imagem é elevada, como um carimbo.
Pode ser montado em cilindros de diferentes diâmetros, sendo que o diâmetro do cilindro determina o tamanho máximo do impresso a ser realizado.
Durabilidade depende do uso, substrato e pressão exercida, pode ser menor que a chapa offset em determinados casos ou até infinitamente maior podendo realizar milhares de impressões antes de sua substituição
A tinta e composição:
Offset – Tintas pastosas
Tintas viscosas, base óleo mineral, vegetal ou UV.
Secagem por:
oxidação,
absorção no papel,
radiação UV (no caso de tintas UV).
Composição típica:
pigmentos,
resinas oleosas,
óleos secantes,
aditivos.
Flexografia – Tintas líquidas
Tintas baixa viscosidade, secagem rápida.
Tipos:
base água (muito comum em papelão ondulado e produção sacos de papel e etiquetas),
base solvente (plásticos e filmes, papéis fantasia e substratos metalizados),
UV (alta qualidade e cura por radiação instantânea).
Composição típica:
pigmentos,
resinas solúveis em água ou solvente,
solventes (etanol, acetato, água),
aditivos para aderência e flexibilidade.
Onde usamos:
Offset – Para que serve
Ideal para materiais gráficos de alta qualidade em papel:
revistas,
livros,
catálogos,
folhetos,
papelaria corporativa,
jornais (offset coldset).
Pontos fortes:
altíssima definição,
excelente reprodução de imagens,
custo-benefício ótimo em grandes tiragens.
Flexografia – Para que se destina
É a rainha das embalagens:
rótulos e etiquetas,
sacos plásticos,
filmes flexíveis (PE, PP, BOPP),
papelão ondulado,
embalagens alimentícias,
embalagens farmacêuticas,
sacolas.
Pontos fortes:
imprime em praticamente qualquer substrato (plástico, papel, metalizado, papelão),
secagem rápida,
ideal para linhas de produção de embalagens.
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